AULA 7 (14/03) – DIÁRIO DE BORDO – DANIEL GALERA (3) – REFERÊNCIAS À INTERNET DOS ANOS 1990 E DE 2014

A fim de corroborar nossa hipótese de que Meia-Noite e Vinte não é um livro saudosista (“tendência, gosto fundado na valorização demasiada do passado” (Houaiss)), embora exista alguma nostalgia, elencamos a maioria das referências à Internet feitas, separando-as em duas listas: uma, menor, do que o livro chama de “relíquias”, recuperações de nomes de programas, sites, práticas, que eram rotineiros para os usuários há 15 anos atrás apenas, e hoje estão já esquecidas ou mesmo são desconhecidas das novas gerações que não vivenciaram a passagem do mundo analógico para o digital; e outra, maior, que praticamente exaure os nomes mais usuais da Internet atual, intimamente ligada a nossa vida cotidiana corriqueira.

Se, de um lado, assim como nas citações da cultura pop, percebe-se um esforço em situar as referências do livro no nível da pessoa comum (que é um internauta médio por necessidade), mantendo-as na superfície mais visível da rede; por outro lado supomos, evidentemente sem qualquer possibilidade de checar tal suspeita, que o autor tenha elaborado listagens similares, antes de produzir o livro, abrangendo, com esse método, a maioria dos nomes mais presentes na vida comum de todos, com o objetivo de gerar maior reconhecimento e identificação possível pelos leitores, o que se pode observar no cuidado em evitar repetições de nomes, à exceção dos onipresentes WhatsApp e Facebook.

*

referências à Internet dos anos 90 (“arqueologia da internet”):

– VHS / DVD (32)

– “O toque do meu celular era aquele ruído de conexão dos modem 14 400 que moravam dentro dos PCs de todo mundo quinze anos antes” (35)

– “em algum momento de noventa e nove eu tinha conseguido baixar as faixas [do primeiro álbum da banda Low] em mp3 por conexão telefônica no Soulseek e queimado um CD” (66)

– comecei a olhar umas fotos antigas, do tempo do Orangotango. Eram fotos pequeninas […] dimensionadas pra caber na internet disponível na época – de acesso discado.” (60)

– “[…] Orangotango. Essa geração que pegou o início da revolução da internet, antes do politicamente correto, da profissionalização da rede.” (57)

– CD-RS (61)

– “Um clipe de vídeo digital feito nos anos noventa era uma verdadeira relíquia. Poucos tinham sobrevivido à obsolescência das mídias físicas.” (61)

– “A resolução do vídeo, certamente capturado numa das câmeras mini-DV que começavam a se popularizar na época, tinha sido reduzida para 320×240. A transferência da fita para o PC não tinha sido perfeita e a imagem era mastigada pela compressão de vídeo brutal da era pré-banda larga. […] Visto anos depois, o vídeo parecia ter saído de uma câmera de segurança ou espionagem, um mosaico de pixels ocre e esverdeado obtido de maneira sub-reptícia.” (62)

– Soulseek (66)

– ICQ (78)

– “bug do milênio” (92)

– [Aurora, sobre o site pornô que frequenta em 2014:] “fiz amigos virtuais de uma maneira que lembrava a ingenuidade dos tempos de ICQ e das primeiras salas de chat do UOL, no fim dos anos noventa, quando havia aquela sensação de deslumbre e descobrimento diante da mera possibilidade de trocar mensagens com um homem em Sergipe ou em São Petesburgo acerca do clima e dos livros favoritos, administrando indiretas e provocações sexuais educadas, uma sensação de estar corrompendo as regras conhecidas da interação social e de poder experimentar o contato com outros seres humanos sem as consequências e responsabilidades conhecidas, ou pelo menos com outras, e novas, nem sempre nítidas, consequências e responsabilidades.” (146-7)

– “Duque, que começou a publicar programando os próprios sites, alguns deles pequenas obras de arte em HTML e GIF, brincando com as possibilidades de diagramação e tipografia oferecidas pelas linguagens da época.” (179)

– “Tentei logar, sem sucesso, no StumbleUpon e no Myspace, dois sites que as pessoas tinham usado muito no começo do milênio e que àquela altura estavam esquecidos. Também testei as senhas no Formspring, um site de perguntas e respostas que tinha feito muito sucesso e depois perdido a popularidade pro similar Askfm.” (183)

– jotapegues (183)

– Aurora: “’Ainda tenho o txt com o roteiro para chegar de carro [ao sítio dos pais de Emiliano]’” (191)

*

referências à internet de 2014:

– timeline do twitter (7)

– smartphone [de Duque, que foi roubado] (11)

– iPhone [de Aurora] (11); [de Giane, 46]

– hashtag #AdeusDuque (11)

– Facebook (22) [é a mãe de Aurora que usa] (42)

– Skype (30)

– “’o Duque tá nos trending topics de Porto Alegre…’” (40)

– WhatsApp (77)

– thumbnails de vídeos pornográficos retirados de websites (84)

– aplicativos de dating (84)

– um monte de coisas [que eu havia] selecionado sem muito critério durante meia hora de passeio pelo Google Images. (85)

– em tumblrs fotográficos para atender aos padrões de beleza que se declaravam fora do padrão. (86)

– [Antero:] Havia boas chances da minha fala [sobre Sade, no congresso], repercutir nas redes.” (87)

– thumbnails, abas separadas com um ctrl+clique, escolhi páginas aleatórias da timeline de vídeos (101)

– [Antero acessando o site pornográfico:] thumbnails, preview de cenas em miniatura. Categorias squirting, ebony+tens, russian e amateur. Procedi ao streaming (103)

– trackpad, streaming (104)

– [Aurora:] “não restava motivação nem para trocar links de vídeos idiotas com eles pelo chat. As bolinhas verdes ao lado de seus nomes no Facebook e no Gmail eram suficientes para manter a aparência de que um dia havíamos sido próximos e nos importávamos uns com os outros.” (120)

– Google Maps (126)

– PowerPoint (129)

– Tumblr (130)

– [Aurora publica a carta que escreve para duque no facebook, e imagina ele vivo, escondido em algum canto, lendo-a e enviando de volta a ela um] “pequeno sinal de reconhecimento. Um GIF animado de Sísifo e sua pedra. Um emoji com olhinho piscando.” (135)

– [duas horas após aurora publicar a carta no facebook, Emiliano manda um “oi” para ela pelo WhatsApp. Ela pede para ele telefonar, pois] “queria falar de verdade com alguém”. (136)

– “Chaturbate” (144)

– [Francine tem e usa, durante a entrevista com Emiliano, um iPhone e um MacBook] (157-158).

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