AULA 3 (21/2) – DIÁRIO DE BORDO

 

“[Trata-se de] repensar a função-autor como lugar de uma ‘pluralidade de egos, múltiplas posições de sujeito’ [Foucault], traduzindo-se em certos papeis jogados pelo autor.”

“talvez seja possível arriscar a hipótese de que a função-autor na contemporaneidade pode estar se deslocando para ocupar uma nova posição, entendida como efeito de um gesto performático que imbrica a noção de autor, de narrador e as inúmeras vozes-personagens-tipos das narrativas.

“Esse desdobramento da figura do autor é que está sendo entendido como uma forma híbrida capaz de sugerir um outro modo de atuação do conceito.

“A hipótese que gostaríamos de levantar é a de que a instância autoral assume na literatura contemporânea inúmeras facetas performáticas transformando a voz autoral em exercício de fabricação de personas que desestabilizam a noção de autor como princípio de uma certa unidade de escritura, exercendo-se em uma função-autor que encontra na performance sua condição de possibilidade.”

“Nossa hipótese é que a performance narrativa é tanto uma instância que baralha a correspondência entre o vivido e o inventado, confundindo o enredo com informações biográficas como uma estratégia capaz de assegurar ao narrador assumir uma pluralidade de vozes.

“Não se trata de confundir o escritor com o narrador, mas de pensar as inúmeras personas que falam nos textos”.

“Assim, segundo nossa argumentação, a performance é a estratégia que caracteriza a função-autor dos textos da literatura contemporânea.” (AZEVEDO, Luciene. Autoria e Performance. 2007)

*

“É comum à cena literária contemporânea a publicação de autores estreantes cujo primeiro livro é uma compilação dos melhores momentos do seu blog

“Talvez valha a pena pensar no blog não apenas como mera ferramenta instrumental de autopublicação, mas como um suporte que condiciona as regras de produção que essa mesma literatura surgida na internet pressupõe para ser lida hoje. O que parece se insinuar nessa questão é a dualidade entre uma importância residual do meio de publicação dos textos e a influência dele nos processos de figuração de si e da própria concepção do literário.”

“talvez seja interessante apostar que a entrada em cena dos novos autores através de espaço virtual dos blogs coloca em xeque as noções de obra e de autor pelo predomínio de uma escrita que autoficcionaliza a vivência do cotidiano do próprio autor.

“O blog é um espaço em que o comentário da experiência cotidiana do tempo presente e a crônica de si aparecem mesclados à ficcionalidade. Então, não é possível dissociar obra e vida.”

“Aproximar as características do blog às da crônica não parece fortuito. As semelhanças [do blog] com o gênero menor da crônica são muitas. A crônica como escrito não-canônico, escrita ordinária, é o lugar da subjetividade, em que narrador e autor ficam apenas à meia distância um do outro.

“Tais como as crônicas, os blogs nascem sob o signo da efemeridade […]. Assim como a escrita ‘simples rés-do-chão’ da crônica (CANDIDO, 1992, p. 13), os posts dos blogueiros estão atentos para o mais banal cotidiano, exercitam uma dicção loquaz e coloquial, embalada por um ritmo quase de conversação.” (AZEVEDO, Luciene. “Blogs: a escrita de si na rede dos textos”, 2007)

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