AULA 2 (16/2) – DIÁRIO DE BORDO

          “Pensar quem é o sujeito que retorna na contemporaneidade, quem é o autor da autoficção, implica sabê-lo como um sujeito híbrido, fragmentado, disperso nos vários discursos midiáticos de que faz parte, pois esse autor não se mostra apenas textualmente, mas também e em igual medida na televisão, em blogs, em entrevistas, talk shows, congressos. A qual verdade discursiva, portanto, devemos associar o autor contemporâneo? À de seus romances? À de sua fala em um periódico acadêmico? À de um bate-papo informal em um programa de variedades? A todas essas verdades, responderia eu, uma vez que Arfuch ‘não considera esses espaços como dissociados, mas numa permanente dinâmica de interação. O biográfico se definiria, assim, justamente como um espaço intermediário, de mediação ou indecidibilidade entre o público e o privado’ [VIEGAS, 2007: 16].

           “Para Diana Klinger, a autoficção, nesse cenário, surge relacionada com a exposição midiática, com um certo narcisismo, mas de forma a refletir criticamente sobre ele […]

          “Não é mais a vida do autor, enfim, que interessa na autoficção. Os dados referenciais impressos no texto, antes de procurarem estabelecer uma conexão entre a vida e o autor, servem como a construção do mito do escritor, de uma persona. Se o autor constrói um mito, ele não está nem dizendo a verdade nem faltando com ela. A verdade que se apresenta na autoficção difere da narrada na autobiografia porque ela não é uma verdade prévia ao discurso, mas, ao contrário, ela se constrói concomitante ao discurso. Nesse sentido, podemos pensar o autor da autoficção como performático, ou seja, o autor estaria construindo a si e ao seu texto ao mesmo tempo. Essa construção de um mito, de uma invenção de si, aproxima a autoficção do discurso psicanalítico, pois ‘o sentido de uma vida não se descobre e depois se narra, mas se constrói na própria narração: o sujeito da psicanálise cria uma ficção de si. E essa ficção não é verdadeira nem falsa, é apenas a ficção que o sujeito cria para si próprio’ [KLINGER, 2007: 51-2, grifo do original]” (OLIVEIRA, B. O Retorno do Autor na Literatura Contemporânea)

*

          “O circuito é a estrutura de circulação dos textos. […] O circuito se refere à interface entre o dentro e o fora [do texto]. Quando introduzimos o elemento circuito como determinante externo ou fronteiriço (enquanto moldura, frame do texto), estamos saindo do universo do texto e estamos entrando no universo propriamente discursivo, estamos entrando no universo propriamente da literatura.

           “O literário de um texto é efeito de circuito. O literário é mais atributo do circuito que do texto.” (MORICONI, 2006, p. 152)

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próxima aula:

AZEVEDO. “Autoria e Performance”

AZEVEDO. “Daniel Galera. Profissão: Escritor”

para 02/03:

– entregar resenha do romance Meia-Noite e Vinte, de Daniel Galera

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